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Ilustração em estilo gráfico: uma paisagem desértica com dunas moldadas pelo vento, em tons de verde musgo e verde salvia.
27º Domingo do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 4 min de leitura

A vinha confiada a nós pede frutos de justiça

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Leituras do dia

Primeira Leitura
Is 5,1-7
Salmo Responsorial
Sl 79(80),9.12.13-14.15-16.19-20 (R. Is 5,7a)
Segunda Leitura
Fl 4,6-9
Evangelho
Mt 21,33-43

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

O pão saiu quente do forno. Na padaria do bairro, alguém o recebe com um sorriso, enquanto outra pessoa espera sua vez com a sacola aberta. É um começo simples para o domingo. Antes de chegar à mesa, aquele pão passou por muitas mãos: houve quem preparasse a massa, cuidasse do forno e trabalhasse enquanto a rua ainda estava quieta. Receber algo bom também nos lembra que não fizemos tudo sozinhos. A vinha das leituras de hoje nos coloca diante dessa mesma verdade: Deus nos dá muito, cuida do que plantou e confia a nós uma parte da colheita.

Isaías canta o trabalho cuidadoso do dono da vinha. Ele escolhe uma encosta fértil, retira as pedras, planta boas videiras e prepara o lugar da colheita. Espera uvas boas, mas encontra frutos que não correspondem ao seu cuidado. O profeta não deixa a imagem distante de nós: o Senhor esperava justiça e bondade de seu povo, mas encontrou injustiça. A pergunta sobre os frutos, portanto, não serve para medir aparências religiosas. Ela alcança a maneira como tratamos as pessoas, cumprimos nossas responsabilidades e repartimos o que recebemos. A vinha não nos foi entregue para que cada um colha apenas para si.

O salmo dá voz à vinha ferida. Recorda que foi a mão de Deus que a plantou e pede que ele volte a olhá-la, a protegê-la e a lhe dar vida. Essa oração nos ajuda a ouvir a advertência de Isaías sem fugir de Deus por vergonha. Podemos reconhecer frutos amargos, em nossa vida e entre nós, e ainda pedir sua visita. Também por isso a palavra de São Paulo aos filipenses encontra lugar neste domingo: apresentemos a Deus nossas necessidades com ação de graças e ocupemos o pensamento com o que é verdadeiro, justo e digno de louvor. A paz que ele promete não encobre a injustiça; guarda o coração para que possa escolher e praticar o bem.

Há motivos concretos para agradecer. O Senhor não abandonou sua vinha ao primeiro fruto ruim. Fez chegar ao seu povo a voz dos profetas e, como Jesus conta no Evangelho, enviou por fim o próprio Filho. Agradecemos porque a nossa vida permanece cercada por sinais desse cuidado: a Palavra que nos corrige, a comunidade que reza conosco, a oportunidade de reparar uma falta e de começar de novo. Nada disso torna pequeno o mal cometido contra os enviados ou contra o Filho. Torna ainda mais precioso o dom que recebemos e maior a responsabilidade de não fecharmos as mãos sobre a vinha.

Na parábola, os vinhateiros deixam de agir como pessoas a quem algo foi confiado. Querem tomar para si a herança e rejeitam violentamente quem vem em nome do proprietário. Jesus revela até onde pode chegar um coração que já não deseja prestar contas. Mas, ao falar da pedra rejeitada que se tornou angular, ele abre nosso olhar para a obra de Deus. Neste domingo, memória da ressurreição, reconhecemos em Cristo o Filho morto e vivo, fundamento de uma vida nova. Produzir frutos não é conquistar um lugar por mérito próprio; é acolhê-lo e deixar que sua presença transforme nossas escolhas em justiça e bondade.

Ao receber o pão de hoje, talvez possamos lembrar também de quem espera de nós um fruto bom: uma resposta honesta, uma decisão justa, um perdão pedido sem desculpas, uma atenção real a quem ficou de fora. São caminhos concretos pelos quais o cuidado de Deus pode alcançar outras pessoas. Que fruto podemos levar juntos ao Senhor neste domingo? Vamos à celebração com nossa comunidade, pedir que ele visite sua vinha e agradecer, à mesa da Eucaristia, pelo Filho que nos reúne e nos dá vida.

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