A alegria mais funda é saber que somos de Deus
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Jó 42,1-3.5-6.12-16
- Salmo Responsorial
- Sl 18(119),66.71.75.91.125.130 (R. 135a)
- Evangelho
- Lc 10,17-24
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
A tampa da panela se levanta e o cheiro de pão recém-assado toma a cozinha. A massa cresceu bem, a casca ficou dourada, e alguém chama os outros para provar a primeira fatia. É bom ver que o trabalho das próprias mãos deu fruto. Essa alegria simples ajuda a compreender o entusiasmo dos setenta e dois discípulos quando voltam da missão: eles tinham visto acontecer, em nome de Jesus, coisas que jamais conseguiriam por si mesmos.
Jesus não apaga a alegria deles. Também se alegra e louva o Pai. Mas lhes mostra onde firmar o coração: “Ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”. O bem que realizaram importa; não é, porém, o fundamento mais seguro da vida deles. Haverá dias em que a missão parecerá fecunda e dias em que nada sairá como esperavam. Em ambos, continuarão sendo conhecidos e amados por Deus. Antes de qualquer resultado, são seus.
Jó chega a essa verdade por um caminho doloroso. Depois de tantas perdas e perguntas, reconhece que falou de coisas que não compreendia. Sua confissão não torna pequeno o sofrimento que atravessou. Ao dizer que antes conhecia o Senhor por ouvir falar e agora o vê com seus olhos, Jó deixa de exigir que tudo caiba em suas explicações. A bênção recebida no fim de sua vida não transforma a dor em uma conta que Deus precisava compensar, nem promete que toda perda será reparada da maneira que desejamos. Ela nos impede, contudo, de pensar que a dor tenha a última palavra sobre a fidelidade do Senhor.
A memória dos santos André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, presbíteros, de Mateus Moreira e de seus companheiros torna essa esperança muito concreta. No Rio Grande do Norte, em 1645, eles permaneceram fiéis a Cristo diante da violência e entregaram a própria vida. Seu testemunho não permite entender a palavra de Jesus como promessa de que nenhum discípulo sofrerá. Mostra, antes, que nem mesmo a violência pôde apagar a pertença deles ao Senhor. Seus nomes, conhecidos por Deus, não dependiam de uma vitória visível aos olhos do mundo.
Ao começar este sábado, podemos agradecer pelas coisas que deram certo, como quem reparte um pão ainda quente. E podemos levar a Deus aquilo que permanece inacabado, sem medir nosso valor pelo que conseguimos fazer. Talvez a oração de hoje seja apenas esta: Senhor, quando eu me alegrar com meus frutos ou me entristecer com minhas perdas, ajuda-me a lembrar que sou teu.
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