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Ilustração em estilo gráfico: a mustard seed beside a large branching shrub, em tons de verde musgo e verde salvia.
17ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

Nas mãos de Deus, o barro sempre recomeça

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Leituras do dia

Primeira Leitura
Jr 18,1-6
Salmo Responsorial
Sl 145(146),1-2.3-4.5-6 (R. 5a)
Evangelho
Mt 13,47-53

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Há manhãs em que começamos o dia já sentindo que algo saiu errado. Uma palavra dita sem paciência, uma decisão adiada, uma preocupação que voltou a ocupar o coração ou até a percepção de que repetimos uma fraqueza que desejávamos ter vencido. Nessas horas, é fácil olhar para a própria vida como quem vê um objeto quebrado e pensa que não há mais conserto. Podemos nos cobrar demais, esconder nossas feridas ou simplesmente nos acostumar com aquilo que precisa mudar.

Jeremias é enviado à casa do oleiro para enxergar uma verdade simples e profunda. O vaso se estraga enquanto está sendo trabalhado, mas o oleiro não joga o barro fora. Ele toma novamente aquele mesmo material e faz dele outro vaso, conforme lhe parece melhor. Deus não olha para nós com indiferença diante de nossas falhas, nem nos reduz ao pior momento que vivemos. Somos barro em suas mãos: frágeis, limitados, necessitados de cuidado, mas também capazes de receber uma nova forma quando nos deixamos conduzir por Ele.

Isso não significa que Deus trate o pecado como algo sem importância. O Evangelho apresenta a rede lançada ao mar, que recolhe peixes de toda espécie, e fala de uma separação final entre o bem e o mal. Jesus nos recorda que a vida tem peso, que nossas escolhas importam e que não podemos chamar de bom aquilo que nos afasta do amor, da justiça e da verdade. A paciência de Deus não é permissão para permanecer no erro; é oportunidade para voltar. Ele nos dá tempo, graça e luz para que o nosso coração seja purificado.

A imagem do oleiro ajuda a compreender essa seriedade sem cair no desespero. Deus conhece a resistência do barro, sabe onde ele se rompe e percebe os pontos que precisam ser novamente trabalhados. Talvez a conversão que Ele nos pede hoje não seja algo grandioso aos olhos dos outros, mas uma atitude concreta: pedir perdão, interromper uma crítica, abandonar uma mentira, retomar uma oração esquecida, tratar alguém de casa com mais mansidão ou reconhecer que temos confiado demais em nossos próprios planos. O salmo nos convida a não colocar nossa esperança em quem não pode salvar. Nem o poder, nem a aprovação alheia, nem a falsa segurança de controlar tudo sustentam a vida como o Senhor sustenta.

Também há uma delicadeza importante na forma como Deus trabalha. O oleiro não forma o vaso com pressa nervosa; suas mãos permanecem sobre o barro até que ele adquira a forma desejada. Assim o Senhor age conosco. Ele pede nossa colaboração, porque não força o coração fechado, mas jamais se cansa de nos chamar. Quando acolhemos sua Palavra, deixamos que Ele toque justamente aquilo que preferiríamos esconder. E o que parecia sinal de fracasso pode se tornar lugar de maturidade, humildade e misericórdia.

Hoje, antes de se prender ao que deu errado ou de temer o que ainda não consegue resolver, entregue-se novamente às mãos de Deus. Ele não despreza o barro ferido e não abandona quem deseja recomeçar. Que parte da sua vida você precisa colocar, com sinceridade, diante do Oleiro para que Ele a refaça segundo o seu amor?

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