Quando a dor encontra a presença de Jesus
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- 1Jo 4,7-16
- Salmo Responsorial
- Sl 33(34),2-3.4-5.6-7.8-9.10-11 (R. 2a ou 9a)
- Evangelho
- Jo 11,19-27 ou Lc 10,38-42
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Há manhãs em que a casa desperta, as tarefas começam a pedir atenção e, ainda assim, algo por dentro permanece pesado. Pode ser uma notícia preocupante, a saudade de alguém, uma enfermidade na família, uma conversa que deixou ferida ou um problema que parece não ter solução. Seguimos preparando o café, respondendo mensagens, organizando o dia, mas carregamos silenciosamente perguntas que não sabemos responder. Nessas horas, é fácil pensar que Deus chegou tarde, que não viu a nossa aflição ou que poderia ter impedido aquilo que nos machucou.
Marta conhece essa experiência. Ela vai ao encontro de Jesus trazendo consigo a dor pela morte do irmão. Suas palavras não escondem a decepção: se o Senhor estivesse ali, Lázaro não teria morrido. Marta não apresenta uma oração enfeitada; ela fala a partir da ferida. E, justamente nisso, sua fé se torna tão próxima de nós. Crer não significa fingir que está tudo bem, nem sufocar a tristeza para parecer forte. Crer é ter a liberdade de se aproximar de Jesus com aquilo que realmente existe no coração, inclusive com as perguntas, os medos e os sentimentos que ainda não conseguimos compreender.
Diante de Marta, Jesus não oferece apenas uma explicação para a morte. Ele se revela como a ressurreição e a vida. A esperança cristã não é somente a expectativa de que um dia as coisas irão melhorar; ela tem um rosto, uma presença, um nome: Jesus. Ele entra em nossa história sem desprezar nossas lágrimas e sem se afastar daquilo que parece perdido. Quando tudo em nós aponta para o fim, o Senhor continua sendo a fonte de uma vida que a morte não pode vencer. Por isso, a pergunta dirigida a Marta também alcança cada um de nós: tu crês?
A resposta de Marta é luminosa porque nasce em meio ao luto. Ela não possui todas as respostas, mas reconhece quem Jesus é. Sua confiança não se apoia no controle dos acontecimentos, mas no Senhor que está diante dela. Talvez hoje não consigamos enxergar o desfecho de uma situação, nem entender por que certa dor nos visita. Ainda assim, podemos renovar a fé de Marta: Senhor, eu creio que estás aqui; eu creio que tua vida é mais forte que aquilo que me ameaça; eu creio que não estou sozinho.
A primeira leitura recorda que Deus é amor e que permanecemos nele quando amamos. A fé em Jesus, portanto, não nos fecha em nossa própria dor. Quem se sabe acolhido pelo Senhor pode tornar-se presença de cuidado para os outros: uma escuta paciente, uma visita, uma palavra serena, um gesto concreto de ajuda. Marta, Maria e Lázaro nos lembram que a casa onde Jesus é recebido se torna lugar de amizade, de lágrimas partilhadas e de vida renovada. Neste início de dia, qual dor você precisa colocar com sinceridade diante de Jesus? E a quem o Senhor talvez esteja chamando você a amar com mais atenção e proximidade?
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