A fé que reconhece Deus no que é familiar
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Jr 26,1-9
- Salmo Responsorial
- Sl 68(69),5.8-10.14 (R. 14c)
- Evangelho
- Mt 13,54-58
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Você já se surpreendeu ao descobrir uma qualidade bonita em alguém que vê todos os dias? Pode ser uma palavra serena de uma pessoa discreta, uma habilidade que nunca tinha aparecido ou um gesto de generosidade que muda a imagem que fazíamos dela. A proximidade, curiosamente, nem sempre nos torna mais atentos. Por acharmos que já conhecemos alguém, podemos deixar de enxergar o que ela traz de novo.
Foi isso que aconteceu quando Jesus voltou à sua terra. O povo se admirou de sua sabedoria e de seus milagres, mas não permitiu que essa admiração se abrisse à fé. Em vez de acolher a presença de Deus que se manifestava diante deles, ficaram presos às referências conhecidas: sua família, sua origem simples, o ofício de seu pai. Sabiam de onde Jesus vinha, mas não estavam dispostos a reconhecer quem ele era. A familiaridade se tornou obstáculo, e o espanto terminou em escândalo.
Também nós podemos agir assim com Deus. Esperamos que ele fale de maneira extraordinária, em acontecimentos impressionantes ou em respostas imediatas para nossas necessidades. Entretanto, o Senhor frequentemente se aproxima pela Palavra ouvida mais uma vez, por uma correção recebida com carinho, por um pedido de perdão, pelo dever simples cumprido com amor, por alguém que nos convida a rever um hábito. Quando julgamos já saber como Deus deve agir, corremos o risco de fechar a porta justamente quando ele vem ao nosso encontro.
Jeremias conheceu a dor de anunciar uma palavra que não agradava. Ele não retirou aquilo que o Senhor lhe mandara dizer, embora encontrasse resistência e até ameaça. Sua firmeza não nascia do gosto de contrariar as pessoas, mas da esperança de que elas pudessem voltar do mau caminho. Deus não envia sua Palavra para humilhar, e sim para chamar de volta, curar e salvar. Contudo, essa Palavra pede um coração que aceite ser questionado.
Santo Inácio de Loyola ilumina esse caminho com sua busca de liberdade interior. Depois de perceber que certos sonhos deixavam apenas vazio, aprendeu a observar os movimentos do próprio coração e a procurar aquilo que conduzia mais verdadeiramente a Deus. Sua experiência recorda que nem todo pensamento insistente é voz do Senhor, nem toda segurança conhecida é fidelidade. É preciso pedir a graça de discernir, deixando que Cristo nos encontre também onde preferiríamos permanecer fechados.
Hoje, talvez a fé peça menos explicações e mais disponibilidade. O Senhor pode estar falando por uma realidade muito próxima, repetida ou aparentemente comum. Em vez de descartá-la depressa, podemos acolhê-la com humildade. Que espaço você dará, neste dia, à Palavra de Deus que vem corrigir, surpreender e conduzir seu coração?
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