A grandeza que nasce das mãos vazias
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Jó 1,6-22
- Salmo Responsorial
- Sl 16(17)
- Evangelho
- Lc 9,46-50
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Jó está diante de uma sucessão de mensageiros. Um ainda termina de anunciar uma perda quando outro chega trazendo notícia ainda mais dolorosa. Em poucas horas, aquilo que sustentava sua casa, seu trabalho e sua alegria parece desabar. Jó não finge que nada aconteceu: rasga o manto, prostra-se no chão, chora a gravidade do que perdeu. Mas, no centro de sua dor, ele não transforma Deus em inimigo. Reconhece que sua vida e seus bens nunca foram uma posse absoluta; eram dons recebidos.
Essa atitude não diminui o sofrimento nem oferece uma explicação fácil para o mal. Jó não celebra a tragédia, e a fé não nos pede indiferença diante daquilo que fere. O que ele preserva é algo profundo: não deixa que a perda lhe roube a relação com o Senhor. Quando as seguranças desaparecem, ele continua voltado para Deus. Sua pobreza, naquele momento, não é apenas a falta dos bens; é a verdade de quem se sabe criatura, dependente e amparado por Aquele que permanece.
No Evangelho, os discípulos seguem em outra direção. Discutem para saber quem é o maior, como se a proximidade com Jesus pudesse ser medida por posição, reconhecimento ou importância. Jesus coloca uma criança junto de si. Ela não representa poder, prestígio ou capacidade de disputar espaço. Representa quem precisa receber, quem não se impõe, quem vive da confiança. Para o Senhor, a grandeza não se conquista esmagando os outros, nem fechando o coração para quem não pertence ao nosso círculo.
O dia de trabalho também pode nos colocar diante dessa escolha. Podemos carregar as tarefas como se tudo dependesse de nós, defender nosso lugar com ansiedade ou comparar nosso esforço com o dos demais. Mas quem reconhece que tudo é dom encontra outra liberdade: pode servir sem precisar aparecer, colaborar sem ciúme e agradecer sem se considerar dono do bem que realiza. As mãos vazias de Jó e a criança acolhida por Jesus recordam que o coração se torna maior quando deixa de agarrar aquilo que não pode controlar.
Ao começar este dia, o que você precisa entregar novamente a Deus para trabalhar, amar e servir com mais humildade? Peça-lhe a graça de receber cada bem como dom e de reconhecer a sua presença também nos pequenos e nos discretos.
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