A vontade de Deus floresce em passos reais
Converter-se é deixar que a verdade alcance as escolhas
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Ez 18,25-28
- Salmo Responsorial
- Sl 24(25)
- Segunda Leitura
- Fl 2,1-11 ou 1-5
- Evangelho
- Mt 21,28-32
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Palavras bonitas não substituem passos verdadeiros. Uma resposta apressada pode soar generosa quando alguém pede ajuda, quando a família chama para uma responsabilidade ou quando surge uma tarefa incômoda no trabalho. Dizemos que faremos, prometemos retornar, garantimos presença. Depois, porém, a urgência passa, outras coisas ocupam o lugar, e aquilo que parecia decidido fica apenas no campo da intenção. Também pode acontecer o contrário: a primeira reação é recusar, reclamar, fechar-se; mas, depois de pensar melhor, a pessoa volta atrás e faz o que precisava ser feito.
Jesus apresenta justamente essa situação no Evangelho. Os dois filhos recebem o mesmo pedido do pai para trabalhar na vinha. Um responde negativamente, mas acaba indo; o outro responde com respeito, mas não realiza o que disse. A pergunta de Jesus é simples e desarma qualquer aparência: qual deles cumpriu a vontade do pai? Não é a resposta mais educada que basta, mas a vida que se deixa mover pela vontade de Deus. O Senhor não procura uma concordância exterior, nem se satisfaz com uma fé pronunciada apenas pelos lábios. Ele deseja filhos que, mesmo depois de resistirem, acolham o chamado e caminhem.
Isso traz grande esperança para quem reconhece as próprias incoerências. Ezequiel anuncia que o pecador que se arrepende, abandona o mal e pratica o direito encontra a vida. Deus não aprisiona ninguém no passado, como se uma queda definisse para sempre a identidade de uma pessoa. Sua justiça é viva e misericordiosa: ela chama à responsabilidade, mas abre um caminho real de retorno. Converter-se não é fingir que nada aconteceu; é admitir o desvio e escolher de novo o bem. É possível recomeçar quando a graça de Deus encontra um coração humilde.
O salmo dá palavras a esse retorno. Pedimos que o Senhor nos mostre seus caminhos, nos conduza em sua verdade e não recorde nossos pecados segundo a medida de nossa miséria. Essa súplica não nasce do medo de um Deus distante, mas da confiança naquele que é ternura e compaixão. Ele reconduz os pecadores e ensina seu caminho aos humildes. A humildade, portanto, não é se diminuir sem esperança; é parar de justificar os próprios erros e permitir que Deus indique uma estrada mais verdadeira.
São Paulo aprofunda essa estrada ao apontar para os sentimentos de Cristo Jesus. A conversão não se reduz a corrigir alguns comportamentos isolados. Ela alcança a maneira de olhar para os outros, de trabalhar, de falar e de ocupar os próprios espaços. Cristo, sendo Senhor, não se agarrou ao privilégio, mas se esvaziou e assumiu a condição de servo. Por isso, uma comunidade cristã se torna fiel ao Evangelho quando deixa a competição, a vanglória e o interesse estreito, aprendendo a considerar o bem do outro. Fazer a vontade do Pai tem o rosto concreto do serviço humilde.
Há motivo profundo para a gratidão neste domingo. Aquele que nos chama à vinha não nos abandona à nossa instabilidade; em Jesus, ele mesmo entrou na condição humana, carregou nossa fragilidade e abriu, pela cruz e pela ressurreição, o caminho da vida nova. Podemos agradecer porque nossa resposta imperfeita não é a última palavra. A misericórdia de Deus nos alcança, levanta e envia novamente. A cada volta sincera, a vinha do Senhor recebe trabalhadores reconciliados, capazes de colaborar para que a justiça, a paz e a compaixão apareçam no mundo.
Neste dia em que a Igreja celebra a Páscoa do Senhor reunida, vale olhar com honestidade para as promessas feitas a Deus e aos irmãos. Onde tenho dito “sim” sem me levantar para ir? Em que ponto preciso mudar de opinião, pedir perdão ou assumir um serviço que venho adiando? Ao participar da celebração comunitária, peçamos a graça de não apenas ouvir a Palavra, mas de sair para a vinha com o mesmo sentimento de Cristo, unidos no amor e prontos para realizar a vontade do Pai.
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