O dia recebe sentido quando buscamos Jesus
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Ecl 1,2-11
- Salmo Responsorial
- Sl 89(90)
- Evangelho
- Lc 9,7-9
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
No visor do elevador, os andares se acendem um depois do outro enquanto alguém segura a bolsa, confere as chaves no bolso e ajeita a roupa antes de sair. A porta se abre, vem o corredor conhecido, o mesmo caminho até a rua, os compromissos previstos, tarefas parecidas com as de ontem. Nesse ritmo tão familiar, pode nascer um espanto discreto: o que faz este dia ser mais do que uma repetição?
O Eclesiastes olha para os ciclos da criação e para o esforço humano sem enfeitar a realidade. O sol se levanta e se põe, o vento percorre seus caminhos, os rios continuam correndo, as gerações passam. Diante dessa sucessão que parece não terminar, ele reconhece a fragilidade de tudo aquilo que tentamos segurar como definitivo. Não é um convite ao desânimo nem ao desprezo pelo trabalho diário. É um chamado a não exigir das coisas passageiras o sentido último que elas não podem dar. Quando o coração deposita toda a sua esperança na produtividade, no reconhecimento ou na novidade, até mesmo uma conquista pode logo parecer vazia.
Herodes também se mostra inquieto. Ele ouve falar de Jesus, recebe informações desencontradas e deseja vê-lo. Sua curiosidade, porém, está misturada à perturbação de uma consciência marcada pela morte de João Batista. Ele procura entender quem é aquele homem de quem todos falam, mas ainda não aparece nele a disposição de se deixar mudar pela verdade. É possível querer ver Jesus apenas para esclarecer uma dúvida, satisfazer uma curiosidade ou confirmar uma ideia já pronta. Mas Jesus não se oferece como espetáculo para os olhos; ele pede um coração disponível para reconhecer sua presença e acolher seu chamado.
O salmo ilumina o caminho ao pedir: ensinai-nos a contar os nossos dias e dai ao nosso coração sabedoria. Contar os dias não é vivê-los com medo de que acabem, mas recebê-los como dom. É perceber que o trabalho de hoje, por mais simples e repetido que seja, pode tornar-se fecundo quando é colocado nas mãos do Senhor. Deus é o refúgio que permanece enquanto tantas coisas passam; por isso, ele pode dar consistência ao que fazemos e paz ao que ainda não compreendemos.
Antes de entrar plenamente nas obrigações deste dia, vale perguntar: procuro Jesus apenas para aliviar minhas inquietações ou desejo realmente encontrá-lo, escutá-lo e deixar que ele dê sentido ao meu caminho?
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