Levar somente o necessário para servir a Deus
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Pr 30,5-9
- Salmo Responsorial
- Sl 118(119)
- Evangelho
- Lc 9,1-6
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Ao arrumar uma mochila para sair, é comum colocar mais do que será usado: uma roupa extra, objetos “para garantir”, algo que talvez venha a ser necessário. O gesto revela nosso desejo de prevenir imprevistos e manter algum controle sobre o caminho. Por isso chama atenção o detalhe da orientação de Jesus aos discípulos: eles não deveriam levar nem mesmo duas túnicas. Não era descuido com as necessidades deles, mas uma escola de liberdade. Quem parte para anunciar o Reino precisa aprender que sua segurança mais profunda não está naquilo que consegue carregar.
A primeira leitura faz ressoar essa mesma simplicidade numa oração muito humana: não pedir pobreza nem riqueza, mas o pão necessário. Não se trata de desprezar os bens, o trabalho ou a prudência. Trata-se de não permitir que a abundância nos faça esquecer de Deus, nem que a falta nos leve a ferir a dignidade do outro e a verdade do próprio coração. O pão necessário é o bastante para viver agradecido, sem a ilusão de que possuímos tudo por nossas próprias forças. A Palavra de Deus, firme como o céu, torna-se então luz para os passos e critério para as escolhas pequenas deste dia.
Jesus envia os doze com autoridade para anunciar e curar, mas essa autoridade não nasce de recursos acumulados. Ela vem da comunhão com Ele. Os discípulos não vão para exibir poder, conquistar espaços ou impor uma mensagem; vão como pessoas dependentes de Deus, capazes de permanecer numa casa, receber hospitalidade e oferecer o que receberam gratuitamente. A missão se enfraquece quando procuramos garantir nossa imagem, controlar a acolhida dos outros ou carregar a necessidade de sermos reconhecidos. Ela ganha verdade quando deixamos que o Senhor seja a nossa riqueza e quando servimos sem fazer do resultado uma medida do nosso valor.
São Pio de Pietrelcina iluminou esse caminho por sua vida de oração, sua entrega no atendimento das pessoas e sua proximidade com os que sofriam. Não viveu para reunir prestígio, mas para conduzir os corações a Deus, especialmente por meio da reconciliação, da escuta e da intercessão. Sua firmeza não era dureza; nascia de alguém que se sabia sustentado pela graça. Ele recorda que uma vida simples não é uma vida pobre de sentido, mas uma vida com espaço para Deus agir e para o irmão ser acolhido.
Talvez hoje o Senhor não peça que abandonemos nossas responsabilidades, mas que examinemos o que estamos carregando além do necessário: preocupações que nos paralisam, aparências que nos cansam, reservas de ressentimento, exigências que colocamos sobre nós mesmos e sobre os outros. Que pão é realmente necessário para este dia? E do que podemos nos desprender, para caminhar com mais confiança e servir com um coração livre?
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