A graça que transforma lágrimas em caminho
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- 1Cor 15,1-11
- Salmo Responsorial
- Sl 117(118)
- Evangelho
- Lc 7,36-50
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
O café começa a perfumar a cozinha enquanto a água ferve, e a pessoa separa uma xícara antes de sair para o trabalho. Nesse pequeno intervalo, entre o barulho da colher e a claridade que entra pela janela, pode surgir a lembrança de algo que não foi bem feito: uma palavra dura, uma escolha confusa, uma omissão que ainda pesa. Nem sempre é fácil começar o dia carregando a própria fragilidade.
No Evangelho, uma mulher entra na casa de Simão e se aproxima de Jesus com lágrimas, perfume e um coração sem defesas. Ela conhece sua história e não tenta escondê-la. Os outros também a conhecem, mas a enxergam somente pelo nome que lhe deram: pecadora. Jesus, porém, vê mais fundo. Ele não ignora o mal nem chama de irrelevante aquilo que feriu sua vida. Ele oferece perdão e, com ele, devolve àquela mulher a possibilidade de estar de pé diante de Deus.
Simão havia convidado Jesus para sua mesa, mas permaneceu distante no coração. A mulher, que parecia não ter lugar naquela casa, reconhece no Senhor a misericórdia de que necessita. Suas lágrimas não são desespero estéril; tornam-se encontro. Seu perfume não é uma tentativa de comprar o perdão; é resposta agradecida a um amor que já a alcançou. Jesus declara que sua fé a salvou e a envia em paz.
São Paulo também fala a partir dessa experiência. Ele não disfarça que perseguiu a Igreja, nem se apresenta como alguém que conquistou por si mesmo um novo lugar. “Pela graça de Deus sou o que sou”: essa certeza sustenta sua humildade e seu trabalho. A graça não apaga a verdade do passado, mas impede que o passado seja uma sentença definitiva. Ela transforma a culpa acolhida diante de Cristo em serviço, gratidão e vida nova.
Talvez o coração chegue a esta manhã com alguma acusação antiga, própria ou alheia. Jesus não nos convida a negar nossas quedas, tampouco a permanecer presos a elas. Ele pede uma fé sincera, capaz de se aproximar sem máscaras. Quem se sabe perdoado pode amar com mais liberdade, julgar menos depressa e agradecer com verdade. Por isso o salmo nos faz repetir que o Senhor é bom e que sua misericórdia é eterna: não como uma frase decorada, mas como a notícia que levanta quem pensava não ter mais caminho.
Antes de seguir com suas tarefas, apresente ao Senhor aquilo que pesa em sua consciência. Você consegue receber hoje o perdão de Cristo e deixar que essa graça se transforme em um gesto concreto de amor e paz?
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