Pular para o conteúdo
Ilustração em estilo gráfico: um portão de madeira aberto em um muro baixo de pedra, em tons de verde musgo e verde salvia.
Santos Cornélio Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

A caridade que não guarda rancor nem exclui

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
1Cor 12,31-13,13
Salmo Responsorial
Sl 32(33)
Evangelho
Lc 7,31-35

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

No fim de sua reflexão sobre tantos dons, Paulo não escolhe a fé, nem a esperança, nem a ciência como a maior riqueza: ele aponta a caridade. É um detalhe que pode surpreender, porque a fé nos aproxima de Deus e a esperança nos sustenta quando o caminho parece escuro. Mas a caridade é maior porque dá forma concreta às outras duas. A fé sem amor pode se tornar discurso duro; a esperança sem amor pode virar apenas desejo particular. A caridade, porém, nos ensina a permanecer diante do outro com paciência, verdade e misericórdia.

Paulo não fala de um sentimento passageiro ou de uma gentileza conveniente. Ele descreve um amor que não se infla, não busca seu próprio interesse, não se deixa conduzir pela irritação e não guarda rancor. Esse amor exige muito de nós justamente nos lugares mais comuns: numa conversa em que nos sentimos contrariados, numa injustiça que ainda dói, na convivência com alguém que não corresponde ao que esperávamos. Guardar rancor parece, por um instante, uma maneira de nos proteger. No entanto, aos poucos, ele prende o coração ao que feriu e impede que a graça de Deus encontre espaço para agir.

O Evangelho mostra pessoas que rejeitavam João Batista por sua austeridade e rejeitavam Jesus por sua proximidade com os pecadores. Nada lhes agradava, porque já haviam decidido julgar antes de escutar. Quando o coração se fecha, até os sinais de Deus parecem inadequados: exigentes demais ou permissivos demais, silenciosos demais ou próximos demais. A caridade nos liberta dessa postura. Ela não confunde o bem com o mal, nem abandona a verdade, mas se alegra com a verdade e sabe reconhecer Deus agindo por caminhos que não controlamos.

A memória de São Cornélio ilumina esse chamado. Como pastor da Igreja em um tempo de divisões e perseguições, ele defendeu que os cristãos que haviam fraquejado no medo pudessem encontrar um caminho de penitência e reconciliação. Não tratou a queda como algo sem importância, mas também não fechou a porta para quem desejava retornar. Sua firmeza não foi severidade sem rosto; foi caridade pastoral, capaz de proteger a comunhão sem negar a misericórdia.

Talvez hoje o Senhor nos peça menos a prova de que estamos certos e mais a disposição de amar como ele ama. Existe alguém de quem temos guardado uma conta antiga? Peçamos a graça de unir verdade e misericórdia, para que nossa fé não faça barulho vazio, mas se torne caridade que acolhe, reconcilia e permanece.

Compartilhe esta leitura

Se esta leitura te fez bem, acompanhe as proximas no canal oficial.

Entrar no canal do WhatsApp

Privacidade e medição

Podemos usar cookies de medição para entender quais páginas ajudam mais os leitores. Você pode aceitar ou recusar sem impacto no conteúdo. Saiba mais na Política de Privacidade .