A medida de amor que protege cada irmão
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- 1Cor 8,1-7.11-13
- Salmo Responsorial
- Sl 138(139)
- Evangelho
- Lc 6,27-38
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Na portaria do prédio, uma mulher segura a porta de vidro por alguns segundos a mais quando percebe um rapaz vindo depressa pela calçada, com a mochila escorregando do ombro e gotas de chuva nos cabelos. Ela poderia simplesmente passar e seguir seu caminho. Em vez disso, espera. O gesto quase não chama atenção, mas poupa ao outro uma corrida, um atraso, um pequeno constrangimento. Há cuidados que não exigem grandes discursos; nascem da decisão de não viver fechado no próprio ritmo.
Jesus nos chama hoje a uma forma de amor que vai além da troca justa. Amar quem nos ama é algo compreensível; fazer o bem a quem nos fará bem depois parece até prudente. Mas o Senhor aponta para outra medida: a misericórdia do Pai, que permanece bondoso até diante da ingratidão. Por isso, pede que não respondamos à ofensa com ofensa, que não façamos do julgamento uma sentença e que o perdão tenha mais espaço em nós do que a vontade de cobrar.
São Paulo aproxima essa palavra da vida concreta da comunidade. Alguém pode possuir conhecimento, estar certo em seu raciocínio e, ainda assim, ferir um irmão mais frágil. O conhecimento, quando se transforma em superioridade, incha; a caridade, porém, constrói. A pergunta decisiva não é somente: “Tenho o direito de fazer isto?” Mas também: “O que este gesto produzirá na vida de quem está ao meu lado?” A liberdade cristã não se mede pela capacidade de impor a própria razão, e sim pela disposição de escolher o bem que ajuda o outro a permanecer de pé.
Isso não significa aprovar injustiças, alimentar abusos ou esconder a verdade. Jesus não nos pede uma bondade ingênua. Ele nos pede um coração livre da vingança, da humilhação e da necessidade de vencer toda discussão. Em casa, no trabalho ou entre amigos, pode haver uma palavra correta dita no tom errado, uma crítica necessária carregada de desprezo, uma lembrança de erro usada para diminuir alguém. Nessas horas, a misericórdia não apaga a verdade; ela lhe dá um modo humano e evangélico de ser oferecida.
O salmo recorda que Deus conhece nossos caminhos e sonda o coração. Diante dele, podemos reconhecer com sinceridade a medida que temos usado: larga para nós mesmos e estreita para os outros, ou generosa como a que desejamos receber? Ao começar este dia, peça ao Senhor a liberdade de renunciar ao que fere e de praticar um bem concreto, mesmo sem aplauso ou retribuição. Que medida você deseja colocar hoje nas mãos de quem encontrar?
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