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Ilustração em estilo gráfico: sementes espalhadas sobre terra arada, em tons de verde musgo e verde salvia.
23ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

O olhar de Jesus e a liberdade do coração

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Leituras do dia

Primeira Leitura
1Cor 7,25-31
Salmo Responsorial
Sl 44(45),11-12.14-15.16-17 (R. 11a)
Evangelho
Lc 6,20-26

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

O Evangelho registra um gesto breve antes das palavras de Jesus: ele levanta os olhos para os discípulos. Não fala de longe, nem lança frases gerais para uma multidão anônima. Olha para aqueles que o seguem e, diante deles, chama felizes os pobres, os famintos, os que choram e os que sofrem rejeição por causa dele. É um olhar que enxerga a realidade sem disfarçá-la. Jesus não afirma que a fome ou o choro sejam bons em si mesmos; ele revela que nenhuma carência tem a última palavra quando é vivida diante de Deus.

No início de um dia de trabalho, é fácil medir a vida pelo que parece garantir segurança: a conta paga, a agenda organizada, um elogio recebido, a sensação de estar no controle. Essas coisas têm seu valor, mas se tornam pesadas quando delas esperamos a salvação do coração. Por isso Jesus também pronuncia palavras severas sobre a riqueza, a fartura, o riso despreocupado e a boa fama. Seu alerta não condena quem possui bens, nem despreza uma alegria sincera. Ele toca a ilusão de quem se fecha na própria consolação e já não percebe a necessidade de Deus, nem a dor e a fome do irmão.

São Paulo expressa essa mesma liberdade ao recordar que a figura deste mundo passa. Sua orientação não é fugir das responsabilidades, abandonar os vínculos ou tratar os afetos como se não importassem. Ao contrário, é viver cada vocação e cada tarefa sem transformar o que passa em dono absoluto da vida. Quem é casado pode amar com fidelidade sem fazer do outro um ídolo. Quem compra pode usar o necessário sem ser possuído pelo que adquiriu. Quem se alegra pode agradecer sem esquecer que a fonte da alegria é maior que qualquer circunstância.

Jesus levanta os olhos para nós também, no meio das preocupações concretas desta manhã. Talvez haja fome de reconhecimento, medo de perder algo, tristeza guardada ou a satisfação de uma conquista recente. Tudo isso pode ser entregue a ele. A bem-aventurança nasce quando o coração deixa de se apoiar somente no que tem, no que consegue ou no que os outros dizem, e aprende a esperar do Reino sua verdadeira riqueza. Que lugar, em sua vida hoje, precisa ser vivido com mais liberdade e confiança em Deus?

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