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Ilustração em estilo gráfico: uma figueira com folhas largas, em tons de verde musgo e verde salvia.
20ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

Quando Deus pede o centro do nosso coração

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Ez 24, 15-24
Salmo Responsorial
Dt 32, 18-21
Evangelho
Mt 19,16-22

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Ezequiel fala ao povo pela manhã e, ao cair da tarde, enfrenta a morte repentina de sua esposa, chamada de encanto de seus olhos. Na manhã seguinte, ele aparece com as sandálias nos pés e o turbante na cabeça, cumprindo uma ordem difícil de compreender. Seu silêncio não é frieza nem negação da dor. Aquele sofrimento pessoal torna-se um sinal para um povo que havia colocado no Templo, nas seguranças visíveis e no próprio orgulho aquilo que deveria pertencer somente ao Senhor.

A leitura é dura porque toca os apegos que organizam a nossa vida. Existem coisas boas, necessárias e amadas: a família, o trabalho, a casa, os projetos, a saúde, a reputação. O problema não está em recebê-las com gratidão, mas em transformá-las no fundamento último da existência. Quando algo ocupa o lugar de Deus, passamos a viver com medo constante de perder, controlar ou defender aquilo que possuímos. E, sem perceber, esquecemos a Rocha que nos deu a vida.

No Evangelho, o jovem se aproxima de Jesus com uma pergunta sincera. Ele não parece indiferente à fé; observa os mandamentos e deseja a vida eterna. Contudo, sente que lhe falta algo. Jesus então olha para o ponto concreto em que sua liberdade está presa: seus muitos bens. O convite de vender, repartir e seguir não é uma exigência arbitrária, mas uma abertura para um tesouro mais profundo. Jesus não quer empobrecer aquele homem por crueldade; quer livrá-lo de uma riqueza que já havia se tornado senhora de seu coração.

Também no começo desta segunda-feira, o Senhor não nos pede gestos espetaculares nem desprezo pelas responsabilidades que temos. Ele nos chama a olhar com honestidade para aquilo que talvez esteja comandando nossas decisões: a necessidade de reconhecimento, o dinheiro acumulado como única garantia, uma mágoa cuidadosamente guardada, o desejo de ter sempre razão, o receio de perder uma posição. Segui-lo pode significar usar os bens sem ser usado por eles, trabalhar com dedicação sem fazer do trabalho um ídolo e amar as pessoas sem exigir que preencham o lugar de Deus.

O jovem rico foi embora triste porque ainda não conseguiu confiar que Jesus era maior do que o que deixava para trás. A Palavra nos convida a não fugir dessa mesma pergunta. Ao iniciar suas tarefas, o que você pode entregar ao Senhor para caminhar com mais liberdade atrás dele?

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