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Ilustração em estilo gráfico: uma oliveira madura com tronco retorcido, em tons de verde musgo e verde salvia.
19ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

Um coração novo para começar de verdade

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Ez 18, 1-10. 13b. 30-32
Salmo Responsorial
Sl 50(51)
Evangelho
Mt 19,13-15

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Uma borracha passando sobre uma palavra escrita errada não apaga imediatamente todos os sinais do que estava no papel. Às vezes fica uma marca leve, uma sombra da letra anterior. Ainda assim, o espaço se torna disponível para que algo novo seja escrito. Esse gesto simples pode acompanhar o início deste dia, quando carregamos lembranças, hábitos e até histórias familiares que parecem determinar quem somos e como agiremos.

Ezequiel enfrenta justamente a tentação de explicar a própria vida apenas pelo que veio antes. O povo repetia um provérbio que transferia para os filhos as consequências das escolhas dos pais. Deus, porém, interrompe essa acomodação. Cada pessoa lhe pertence, cada vida é olhada com seriedade e amor, cada um é chamado a responder pela própria conduta. Não se trata de negar as feridas recebidas, os exemplos ruins ou os condicionamentos que nos marcaram. Eles existem e podem pesar muito. Mas não possuem a última palavra sobre nós.

O Senhor não nos deixa presos a uma sentença de fracasso. Sua voz é exigente porque é profundamente favorável à vida: convertei-vos e vivereis. Ele pede que nos afastemos do pecado não para humilhar quem caiu, mas para abrir novamente um caminho. O coração novo e o espírito novo não nascem de uma força de vontade isolada, como se bastasse decidir nunca mais errar. São dom acolhido por quem reconhece com verdade o que precisa mudar e se põe diante de Deus sem disfarces.

O salmo dá palavras a essa atitude: um coração puro, um espírito decidido, a alegria de ser salvo. A penitência que agrada ao Senhor não é uma tristeza estéril, nem uma culpa repetida que nos faz olhar apenas para nós mesmos. É o coração arrependido que confia na misericórdia e permite que ela alcance os gestos concretos: a palavra que precisa ser revista, a desonestidade que deve cessar, a indiferença diante de alguém necessitado, a dureza mantida dentro de casa ou no trabalho.

No Evangelho, Jesus acolhe as crianças que os discípulos queriam afastar. Elas se aproximam sem apresentar currículo, justificativa ou mérito. Apenas são levadas até Ele e recebem sua bênção. Essa simplicidade não é infantilidade; é a confiança de quem sabe que precisa ser recebido. Para recomeçar, também precisamos nos aproximar assim: sem fingir autossuficiência, sem deixar que a vergonha nos mantenha distantes, sem acreditar que nosso passado é maior que a misericórdia de Cristo.

Antes de entrar nas tarefas deste dia, que parte da sua vida você pode colocar nas mãos de Jesus com a confiança de uma criança, pedindo-lhe, de verdade, um coração novo?

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