O amor fiel de Deus não descarta ninguém
Ouvir a reflexão · 4 min
Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Ez 16, 1-15. 60. 63
- Salmo Responsorial
- Is 12, 2-4.5-6
- Evangelho
- Mt 19,3-12
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Você se recorda de uma ocasião em que alguém ficou ao seu lado quando seria mais fácil ir embora? Pode ter sido numa doença, num erro que trouxe vergonha, numa fase confusa ou numa conversa em que faltavam palavras. A presença fiel de alguém não apaga imediatamente as consequências do que aconteceu, mas diz algo decisivo: você não foi reduzido à sua queda.
A imagem usada por Ezequiel é forte e comovente. Deus encontra Jerusalém abandonada, ferida e sem amparo; aproxima-se, dá-lhe vida, cuida dela, reveste-a de dignidade e estabelece uma aliança. Depois, a cidade se esquece do amor recebido e passa a confiar na própria beleza. A infidelidade é real, e a Palavra não a disfarça. Ainda assim, Deus não renega sua misericórdia. Ele se lembra da aliança e promete perdão. Seu amor não é uma aprovação indiferente de tudo o que fazemos; é um amor que mostra a verdade, cura a ferida e chama de volta.
No Evangelho, Jesus fala da união matrimonial a partir do projeto do Criador. Diante da facilidade com que se procuravam justificativas para desfazer um vínculo, Ele recorda que o amor não pode ser tratado como algo descartável. A dureza do coração separa, usa o outro, abandona quando o caminho se torna exigente. Cristo, porém, aponta para um amor que se entrega e permanece. Essa palavra alcança de modo particular os esposos, chamados a cuidar da aliança recebida, mas também ilumina toda vocação e toda relação: amizades, família, comunidade, serviço. Amar de verdade pede um coração que não fuja diante da fragilidade do outro e que também não faça da própria fragilidade uma desculpa para desistir de buscar o bem.
Na memória de São Maximiliano Maria Kolbe, essa fidelidade ganha um rosto concreto. Em meio à brutalidade de Auschwitz, ele ofereceu a própria vida para que um pai de família pudesse viver. Não foi um gesto impulsivo nem uma busca de heroísmo pessoal. Foi o fruto de um coração entregue a Cristo, capaz de reconhecer naquele homem um irmão que não podia ser abandonado. Onde a violência reduzia pessoas a números, Maximiliano afirmou, com sua vida, que cada pessoa continua digna de amor.
Talvez hoje o Senhor peça uma fidelidade menos extraordinária, mas muito verdadeira: não alimentar uma mágoa, cumprir uma promessa, escutar sem desprezar, recomeçar uma conversa, pedir perdão ou acolher o perdão que ainda custa aceitar. Deus não se afasta de nós quando percebe nossa pobreza; Ele se aproxima para dizer: vive. Em qual vínculo concreto você precisa deixar que o amor fiel de Deus amoleça o seu coração?
Se esta leitura te fez bem, acompanhe as proximas no canal oficial.
Entrar no canal do WhatsApp