A sabedoria que se curva diante do Senhor
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Is 10,5-7.13-16
- Salmo Responsorial
- Sl 93(94),5-6.7-8.9-10.14-15 (R. 14a)
- Evangelho
- Mt 11,25-27
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Há manhãs em que começamos o dia já fazendo contas: as tarefas que se acumulam, as conversas difíceis, os prazos, as decisões que parecem depender somente de nós. Sem perceber, podemos apertar a vida nas mãos, como quem precisa controlar cada detalhe para que nada saia do lugar. E, quando algo dá certo, surge a tentação silenciosa de atribuir tudo à própria capacidade; quando algo falha, cresce a angústia de não termos conseguido dominar o que estava ao nosso redor.
A primeira leitura mostra a Assíria tomada por essa ilusão de grandeza. Seu rei olha para as conquistas e se convence de que tudo foi realizado pela força de sua mão e por sua inteligência. Ele se vê como dono dos povos, dos bens e da história. Mas Deus lhe dirige uma pergunta que desarma toda arrogância: pode o machado gloriar-se diante daquele que o maneja? A imagem é simples e profunda. Somos chamados a agir, trabalhar, estudar, escolher e servir com responsabilidade; contudo, não somos a fonte última do bem que realizamos. Nossos dons, oportunidades e até a força para recomeçar são recebidos.
Reconhecer isso não diminui ninguém. Pelo contrário, liberta-nos do peso de ter de ser o centro de tudo. A pessoa humilde não é aquela que despreza suas capacidades, mas aquela que sabe de onde elas vêm e para quem devem ser usadas. Quando esquecemos Deus, até o talento pode se transformar em instrumento de vaidade, dureza e domínio sobre os outros. Quando permanecemos unidos a Ele, aquilo que temos se torna serviço, cuidado e caminho de justiça.
O salmo recorda que o Senhor não rejeita o seu povo e não esquece os que sofrem. Deus vê a viúva, o estrangeiro, o pobre e o órfão, justamente aqueles que os poderosos muitas vezes ignoram. Sua justiça não é indiferente à dor humana. Por isso, a humildade cristã também nos tira do fechamento em nós mesmos: quem reconhece que tudo recebeu aprende a olhar com mais atenção para quem precisa de amparo, respeito e defesa.
No Evangelho, Jesus louva o Pai porque os mistérios do Reino são revelados aos pequeninos. Não se trata de desprezar o estudo, a inteligência ou o conhecimento. Hoje celebramos São Boaventura, bispo e doutor da Igreja, homem de grande profundidade intelectual e espiritual. Sua vida nos recorda que a verdadeira sabedoria não infla o coração; ela o conduz à adoração. Conhecer a Deus não é apenas acumular ideias sobre Ele, mas deixar-se alcançar por seu amor e reconhecer que o Pai se revela por meio do Filho.
Os pequeninos de que Jesus fala são os que não se fecham na pretensão de já saber tudo. São aqueles que conservam um coração ensinável, capaz de escutar, agradecer e confiar. Talvez seja essa a graça de que mais necessitamos hoje: realizar bem o que nos cabe, sem transformar nossas conquistas em pedestal; usar nossa inteligência sem perder a simplicidade; enfrentar as responsabilidades sem esquecer que o Senhor sustenta nossa vida.
Antes de seguir com os compromissos deste dia, vale entregar a Deus aquilo que você tenta carregar sozinho. Em que situação seu coração precisa deixar de se exaltar e voltar a confiar, como um pequeno que sabe estar nas mãos do Pai?
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