Pular para o conteúdo
Ilustração em estilo gráfico: uma pia batismal simples de pedra, em tons de verde musgo e verde salvia.
15º Domingo do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

Preparar o coração para acolher a semente

Ouvir a reflexão · 5 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Is 55,10-11
Salmo Responsorial
Sl 64(65),10.11.12-13.14 (R. Lc 8,8)
Segunda Leitura
Rm 8,18-23
Evangelho
Leitura do Livro do Profeta Isaías 55,10-11

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Logo cedo, muitas coisas já disputam espaço dentro de nós: uma mensagem que chegou durante a noite, a lista de tarefas, uma preocupação com alguém da família, uma notícia que pesa no coração. Antes mesmo de sairmos de casa, a mente pode se tornar um caminho movimentado, onde tudo passa depressa e quase nada permanece. Talvez por isso a imagem de Jesus seja tão próxima da nossa vida: o semeador lança a semente com generosidade, mas ela encontra terrenos diferentes.

Deus não economiza sua Palavra. Como a chuva que desce do céu e irriga a terra, ela vem ao nosso encontro para fecundar, alimentar, fazer germinar o que parecia seco. O Senhor continua falando na liturgia, na oração silenciosa, num conselho recebido na hora certa, na dor que nos faz rever prioridades, na beleza simples de uma manhã. Sua Palavra não é estéril nem indiferente; ela traz em si uma força capaz de realizar a vontade de Deus. Mas, para que essa força se revele em nossa história, é preciso que o coração deixe de ser apenas um lugar de passagem.

Há momentos em que escutamos o Evangelho, concordamos com ele e até nos emocionamos, mas logo os pássaros das distrações carregam aquela luz. Em outras ocasiões, recebemos a Palavra com entusiasmo, porém sem aprofundá-la; quando chega uma contrariedade, uma espera longa ou uma decepção, a fé parece secar por falta de raízes. Também há os espinhos: a ansiedade por ter tudo sob controle, o apego ao que possuímos, a busca incessante por reconhecimento, as preocupações que ocupam cada fresta da alma. Não são necessariamente coisas más, mas podem crescer tanto que sufocam aquilo que Deus deseja fazer nascer.

A terra boa não é um coração perfeito, sem pedras ou ervas daninhas. É o coração que se deixa trabalhar. Um terreno fértil precisa ser revolvido, regado, limpo e cuidado com paciência. Assim também acontece conosco. A oração diária, ainda que breve e simples, vai abrindo espaço interior. A escuta atenta da Palavra cria raízes. O perdão retirado do fundo do peito tira pedras antigas. A decisão de silenciar um pouco diante de Deus impede que as preocupações dominem tudo. Aos poucos, o Senhor prepara em nós uma terra capaz de acolher sua semente.

São Paulo lembra que toda a criação geme como em dores de parto, aguardando libertação. Nós também conhecemos esses gemidos: há situações que não entendemos, fragilidades que persistem, esperas que cansam. Contudo, a semente de Deus não ignora essa realidade. Ela é lançada justamente em nossa terra concreta, marcada por limites e esperança. O fruto talvez não apareça de imediato, mas Deus age no escondido, onde as raízes crescem antes que os olhos vejam qualquer broto.

Hoje, em vez de medir apenas o quanto temos produzido, podemos perguntar com humildade: que tipo de terra tenho oferecido à Palavra do Senhor? Peçamos a graça de remover o que endurece, aprofundar o que é superficial e entregar a Deus os espinhos que nos sufocam. Que Ele encontre em nós um coração disponível, onde sua Palavra possa permanecer, crescer e dar fruto.

Compartilhe esta leitura

Se esta leitura te fez bem, acompanhe as proximas no canal oficial.

Entrar no canal do WhatsApp

Privacidade e medição

Podemos usar cookies de medição para entender quais páginas ajudam mais os leitores. Você pode aceitar ou recusar sem impacto no conteúdo. Saiba mais na Política de Privacidade .