A coragem de responder: Aqui estou, Senhor
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Is 6,1-8
- Salmo Responsorial
- Sl 92(93),1ab.1c-2.5 (R. 1a)
- Evangelho
- Mt 10,24-33
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Há dias em que uma conversa simples parece difícil demais. Talvez seja preciso defender alguém injustiçado no trabalho, pedir perdão dentro de casa, recusar uma atitude desonesta ou manifestar a fé diante de pessoas que não a compreendem. Muitas vezes, antes mesmo de falar, já imaginamos críticas, rejeições e consequências. Então escolhemos o silêncio não por prudência, mas por medo. Sentimo-nos pequenos, despreparados e incapazes de dar uma resposta fiel.
A experiência de Isaías toca justamente essa fragilidade. Diante da santidade de Deus, ele não se apresenta como alguém seguro de si nem como um homem pronto para grandes missões. Reconhece a impureza de seus lábios e a distância entre sua vida e a grandeza do Senhor. Mas Deus não o humilha por sua pobreza: Ele o purifica. O gesto da brasa retirada do altar mostra que a missão não começa na competência humana, mas na graça que perdoa e transforma. Só depois de ser alcançado pela misericórdia Isaías pode responder: “Aqui estou! Envia-me”.
Jesus, no Evangelho, também fala aos discípulos que enfrentarão oposição. Ele não lhes promete uma caminhada sem conflitos, nem lhes pede uma coragem baseada no orgulho ou na força pessoal. Repete que não devem ter medo porque o Pai conhece cada detalhe de sua vida. Se Deus cuida até dos pardais e conhece até os cabelos de nossa cabeça, então nenhuma fidelidade vivida por amor passa despercebida aos seus olhos.
A única ideia que une essas palavras é simples e exigente: a coragem cristã nasce da certeza de que pertencemos a Deus. Não é ausência de medo. Isaías certamente continuava sendo um homem limitado; os discípulos continuariam vulneráveis diante das ameaças. Contudo, a voz do Senhor e o cuidado do Pai mudam o lugar de onde eles vivem e falam. Já não precisam provar seu valor, esconder suas fraquezas ou garantir sozinhos o resultado de sua missão. Podem servir porque foram amados, perdoados e enviados.
Também nós somos chamados a deixar que Deus toque nossos lábios: os lábios usados para reclamar, ferir, omitir a verdade ou espalhar desânimo. O Senhor pode purificar nossa palavra para que ela se torne instrumento de paz, justiça e anúncio do Evangelho. Em vez de perguntar apenas se temos capacidade suficiente, podemos perguntar se estamos disponíveis para acolher sua graça e dar um passo fiel.
Hoje, diante de alguma situação concreta que desperta medo em seu coração, qual resposta você deseja oferecer ao Senhor: a fuga silenciosa ou a confiança de quem diz, com humildade, “Aqui estou”?
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