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Ilustração em estilo gráfico: uma semente de mostarda ao lado de um arbusto grande e ramificado, em tons de verde musgo e verde salvia.
28º Domingo do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 4 min de leitura

O convite de Deus nos reúne à mesma mesa

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Leituras do dia

Primeira Leitura
Is 25,6-10
Salmo Responsorial
Sl 22(23)
Segunda Leitura
Fl 4,12-14.19-20
Evangelho
Mt 22,1-14

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

O sino tocou às oito. Na rua ainda tranquila, um vizinho fecha o portão, alguém atravessa a praça, e os primeiros bancos da igreja começam a ser ocupados. Cada pessoa chega com sua semana: uma boa notícia para agradecer, uma preocupação que ainda não se resolveu, a falta de alguém que costumava sentar ao lado. Ninguém precisa deixar essa vida concreta do lado de fora. Neste domingo, as leituras falam de um Deus que prepara lugar e chama seu povo para a festa.

Isaías anuncia um banquete para todos os povos. Não é uma mesa reservada a quem nunca sofreu: o próprio Senhor promete retirar o que encobre as nações, enxugar as lágrimas e vencer a morte. A alegria anunciada pelo profeta conhece a dor humana e vai mais fundo do que ela. Na ressurreição de Jesus, que celebramos a cada domingo, reconhecemos o começo dessa vitória. Ainda choramos perdas e atravessamos dias difíceis, mas já não precisamos acreditar que a morte terá a última palavra. Deus nos chama a esperar nele, juntos.

O salmo nos ajuda a caminhar até essa mesa. O Senhor conduz por águas repousantes e restaura as forças, mas sua companhia não desaparece quando o caminho passa pelo vale tenebroso. Ali também ele está presente. A mesa preparada diante dos inimigos fala de uma confiança que não depende de tudo estar em paz ao redor. Quem chega à celebração com o coração cansado pode ouvir esse salmo sem fingir que está bem. Pode pedir a graça de dar mais um passo, sabendo que o Pastor não abandona quem conduz.

São Paulo conhecia tanto a abundância quanto a necessidade. Sua confiança em Cristo não o impedia de reconhecer o bem que os filipenses lhe fizeram ao partilhar suas dificuldades. É uma palavra importante para nossa comunidade: confiar que Deus proverá não nos dispensa de perceber quem precisa de ajuda. Ao contrário, podemos nos tornar parte da resposta de Deus quando dividimos o que temos e permanecemos perto de quem atravessa a escassez. A força recebida de Cristo não endurece ninguém; ela sustenta a fé e abre as mãos.

Por isso, a parábola do Evangelho é tão séria quanto generosa. O rei manda chamar convidados para a festa do filho e, diante da recusa, envia seus empregados às encruzilhadas para trazer todos os que encontrarem, bons e maus. A sala se enche porque o convite alcança gente que não esperava estar ali. Ao mesmo tempo, o homem sem o traje de festa nos impede de tratar esse chamado com indiferença. Não se trata de merecer um lugar por aparência ou condição social. A pergunta é se aceitamos deixar que a graça recebida toque nossas escolhas, nossas relações e a maneira como olhamos os outros. O convite é gratuito; a resposta pede a vida inteira.

É dessa mesa aberta que nasce nossa gratidão hoje. Podemos agradecer porque Deus não esperou que tivéssemos tudo em ordem para nos chamar; porque nos acompanha no vale, como canta o salmo; e porque, como Paulo experimentou, coloca irmãos e irmãs ao nosso lado quando as forças faltam. A gratidão não apaga as lágrimas que Isaías menciona, mas nos permite reconhecer, mesmo em meio a elas, os sinais da fidelidade de Deus. Ao nos reunirmos, levamos também a esperança de quem ainda não conseguiu chegar.

Quando o sino chamar para a missa, aceitemos o convite com o que somos e com disposição de mudar o que for preciso. Que lugar podemos abrir, nesta semana, para alguém participar dessa alegria? Vamos celebrar juntos a Páscoa do Senhor, dar graças por sua presença e aprender, como comunidade, a viver à altura da mesa que ele preparou.

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