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Ilustração em estilo gráfico: uma paisagem desértica com dunas moldadas pelo vento, em tons de verde musgo e verde salvia.
23ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

A rocha que sustenta as escolhas do dia

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Leituras do dia

Primeira Leitura
1Cor 10,14-22
Salmo Responsorial
Sl 115(116)
Evangelho
Lc 6,43-49

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Ao fechar a porta de casa e conferir se as chaves estão na bolsa ou no bolso, fazemos um pequeno gesto de segurança antes de seguir para o trabalho. Queremos ter certeza de que aquilo que protege nosso lar permanece firme. Existem cuidados semelhantes que não aparecem por fora, mas sustentam muito mais: as escolhas que fazemos, as palavras que pronunciamos, os critérios que aceitamos para conduzir o dia. Jesus fala da casa que resiste à torrente porque foi construída sobre a rocha. Não se trata de uma casa sem chuva ou sem vento, mas de uma casa com fundamento.

Esse fundamento não é apenas conhecer as palavras de Jesus, nem chamá-lo de Senhor quando tudo vai bem. É acolher sua Palavra a ponto de deixá-la alcançar o coração e orientar a vida concreta. O Evangelho recorda que os frutos revelam a árvore e que a boca manifesta aquilo de que o coração está cheio. Por isso, a fé não se mede somente por intenções bonitas ou por momentos de emoção religiosa. Ela se torna visível na paciência com alguém difícil, na honestidade diante de uma oportunidade duvidosa, no modo como tratamos quem não pode nos oferecer nada em troca, na disposição de corrigir uma palavra amarga antes que ela machuque.

São Paulo aprofunda essa verdade ao falar do pão partilhado e do cálice da bênção. Participar da mesa do Senhor é entrar em comunhão com Cristo e, nele, com os irmãos. Não podemos desejar essa comunhão e, ao mesmo tempo, alimentar dentro de nós aquilo que nega o amor, a verdade e a justiça de Deus. Há mesas que prometem satisfação rápida, aprovação fácil e vantagem pessoal, mas deixam o coração dividido. A mesa do Senhor, porém, reúne e purifica; ela nos recorda que pertencemos a um só corpo e que nossa vida não pode ser construída sobre interesses que afastam, ferem ou endurecem.

No início deste dia, talvez não seja preciso resolver tudo nem prever as tempestades que poderão chegar. Basta cavar um pouco mais fundo, voltando o coração para Cristo antes de se entregar ao ritmo das tarefas. Que palavra dele pode servir de rocha para suas decisões de hoje? E que fruto você pede a Deus que amadureça em seu coração?

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