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Ilustração em estilo gráfico: uma figueira com folhas largas, em tons de verde musgo e verde salvia.
22ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

A palavra que devolve liberdade ao coração

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
1Cor 2,10b-16
Salmo Responsorial
Sl 144(145),8-9.10-11.12-13ab.13cd-14 (R. 17a)
Evangelho
Lc 4,31-37

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

No caminho para o trabalho, uma voz apressada no rádio pode preencher o carro com notícias, opiniões e alertas; em outro momento, uma frase serena de alguém querido basta para reorganizar por dentro o que parecia confuso. Nem toda palavra tem o mesmo peso. Algumas aumentam a agitação, outras ferem, outras passam sem deixar marca. Há palavras, porém, que alcançam um lugar mais fundo e devolvem à pessoa a possibilidade de respirar com liberdade.

No Evangelho, Jesus ensina em Cafarnaum, e o povo se admira porque Ele fala com autoridade. Não se trata de uma voz que se impõe pela força, nem de uma fala que procura aplausos. A autoridade de Jesus nasce da verdade de quem Ele é: o Santo de Deus, presente no meio do povo para salvar. Quando o espírito impuro grita, Jesus não negocia com o mal nem permite que ele domine aquele homem. Sua palavra ordena, liberta e não deixa ferida. O homem cai, mas não é destruído; o poder de Cristo o arranca daquilo que o mantinha preso.

Também nós conhecemos vozes que tentam ocupar espaço demais dentro de nós. Pode ser uma culpa antiga, uma preocupação que se repete sem descanso, o medo de não corresponder, um julgamento recebido ou uma dureza que passamos a dirigir contra nós mesmos. Nem tudo o que fala em nosso interior merece ser obedecido. São Paulo recorda que recebemos o Espírito que vem de Deus, para conhecer os dons que Ele nos concedeu. O Espírito Santo não alimenta confusão nem humilhação; Ele nos conduz ao pensamento de Cristo, à verdade que reconhece o pecado sem negar a misericórdia, que chama à conversão sem retirar a esperança.

A vida espiritual não consiste em escapar das tarefas, dos desafios e das limitações deste dia. Consiste em permitir que, no meio deles, a palavra de Jesus tenha a última voz. Antes de responder com irritação, antes de tomar uma decisão movida apenas pela pressão, antes de acreditar que não há saída, podemos fazer uma pequena pausa interior. O Senhor é justo em seus caminhos, como canta o salmo; Ele sustenta quem vacila e levanta quem tombou. Sua autoridade não nos diminui: ela nos restitui a nós mesmos.

Ao começar este dia, vale entregar a Jesus aquilo que tem roubado sua liberdade interior. Que voz tem falado mais alto em você: a do medo, a da cobrança ou a palavra firme e misericordiosa de Cristo? Peça-lhe, com simplicidade: Senhor, faze calar em mim tudo o que não vem de ti e ensina-me a acolher a tua paz.

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