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Ilustração em estilo gráfico: uma porta simples com luz além dela, em tons de verde musgo e verde salvia.
Bem-aventurada Virgem Maria Rainha Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

Maria acolhe o Reino que serve e traz paz

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Leituras do dia

Primeira Leitura
Is 9, 1-6
Salmo Responsorial
Sl 112
Evangelho
Lc 1, 26-38

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Ao abrir a janela no começo da manhã, a luz não pede licença para transformar o quarto. Ela alcança os cantos que, durante a noite, pareciam indistintos, revela os objetos deixados sobre a mesa e convida a casa a despertar. Não resolve tudo o que o dia trará, mas muda a maneira de enxergar o que está diante de nós. Isaías anuncia justamente essa luz para um povo que caminhava na escuridão: nasce um menino, é dado um filho, e sobre seus ombros repousa a realeza. Seu nome é Príncipe da Paz.

A festa de Maria Rainha nos conduz a olhar para esse Reino que não se parece com os poderes que costumamos admirar. Maria não é rainha por possuir riquezas, por dominar pessoas ou por receber honras humanas. Ela é Rainha porque pertence inteiramente ao Filho que reina para sempre; sua grandeza floresce no serviço, na humildade e na confiança. Quando o anjo entra em sua casa e lhe apresenta uma missão que ultrapassa seus cálculos, Maria se perturba, pergunta, escuta e, por fim, entrega-se: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”.

Esse sim não foi uma palavra passiva, dita para evitar perguntas ou para esconder o medo. Maria pergunta como aquilo acontecerá, porque leva Deus a sério e não deseja fingir que compreendeu o que ainda lhe parece misterioso. Depois, sustenta-se numa certeza: para Deus nada é impossível. Ela permite que a Palavra encontre espaço em sua vida e que o Espírito Santo realize aquilo que suas forças jamais poderiam produzir.

O Reino de Jesus começa assim, numa casa simples de Nazaré e num coração que se reconhece servo. Aquele que Isaías chama de Deus forte escolhe vir como criança; aquele que terá um reino sem fim acolhe a carne humana no ventre de Maria; aquele que traz a paz não se impõe pela violência, mas vem pedir acolhida. A realeza de Cristo manifesta a força do amor que se abaixa, levanta o pobre da poeira e devolve dignidade a quem o mundo esquece, como canta o salmo.

Também nós podemos desejar um pouco dessa realeza de Maria: não a aparência de importância, mas a liberdade de não viver escravo do próprio orgulho, da necessidade de controlar tudo ou do receio de dizer sim ao bem. Quando uma palavra de perdão precisa ser pronunciada, quando uma tarefa humilde espera nossas mãos, quando a consciência pede uma decisão mais honesta, o Senhor continua se aproximando. Nem sempre entendemos o caminho inteiro. Ainda assim, podemos oferecer-lhe o espaço concreto do nosso dia.

Peçamos a Maria Rainha que nos aproxime de seu Filho, o Príncipe da Paz. Que gesto de disponibilidade, talvez pequeno e silencioso, você pode hoje colocar nas mãos de Deus para que o Reino de Cristo encontre morada em sua vida?

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