No rosto de Cristo a luz que nos levanta
Festa da Transfiguração do Senhor
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Dn 7,9-10,13-14 ou 2Pd 1,16-19
- Salmo Responsorial
- Sl 96(97),1-2.5-6.9 (R. 1a.9a)
- Evangelho
- Mt 17,1-9
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
No quintal ainda fresco, uma mulher sacode um lençol branco antes de estendê-lo no varal. O tecido se abre ao vento, recebe o sol que começa a aparecer e parece mais claro a cada instante. É um gesto simples, quase escondido entre tantas tarefas, mas há nele uma pequena beleza: a luz encontra aquilo que estava dobrado, guardado, talvez amassado, e o deixa visível de outro modo. Na festa da Transfiguração do Senhor, a Igreja contempla Jesus assim: não como alguém distante da nossa humanidade, mas como o Filho amado cuja verdadeira glória se deixa ver por um momento diante dos discípulos.
Pedro, Tiago e João sobem com Jesus a uma alta montanha. Ali, o rosto do Senhor brilha e suas vestes se tornam luminosas. Moisés e Elias aparecem ao seu lado, mostrando que toda a promessa de Deus encontra nele seu cumprimento. A visão de Daniel também aponta para essa realeza que não passa: ao Filho do Homem são dados poder, glória e um reino que não será destruído. Diante de Jesus transfigurado, não estamos apenas diante de uma imagem bonita ou de um instante extraordinário. Somos convidados a reconhecer quem ele é: o Senhor que reina não pela força que humilha, mas pelo amor que se entregará até a cruz e vencerá na ressurreição.
Pedro reage com espontaneidade: “Senhor, é bom ficarmos aqui”. Seu desejo é compreensível. Quando algo nos faz experimentar a bondade de Deus, queremos conservar aquele momento, construir uma tenda, impedir que ele termine. Pode ser uma celebração que toca profundamente, uma reconciliação em casa, uma palavra recebida na oração, a paz que visita o coração sem alarde. Contudo, a voz do Pai não manda os discípulos guardar a experiência; ela lhes dá uma direção: escutai-o. A glória de Cristo não nos é dada para ser possuída, mas para formar em nós uma escuta fiel. Escutar Jesus é deixar que sua palavra tenha mais peso que nossos medos, pressas e certezas apressadas.
A nuvem luminosa, porém, também assusta. Os discípulos caem por terra, porque a presença de Deus não cabe em nossos esquemas. E é então que Jesus se aproxima, toca neles e diz que se levantem, sem medo. Este toque revela a delicadeza da sua glória. O mesmo Senhor diante de quem as montanhas se derretem, como canta o salmo, inclina-se para alcançar discípulos assustados. Sua luz não expõe para condenar; ela ergue. Sua majestade não diminui quem se aproxima; ela devolve coragem para continuar o caminho.
Depois da montanha, vem a descida. Jesus não permite que os discípulos se instalem no alto, porque a vida os espera abaixo: os encontros, os conflitos, o serviço, a cruz e, depois, a ressurreição. Também o nosso dia precisa dessa luz que não nos retira das responsabilidades, mas muda o modo de vivê-las. Onde houver cansaço, ela pode sustentar; onde houver confusão, pode orientar; onde houver medo, pode nos fazer levantar. Hoje, diante de Cristo transfigurado, que palavra dele você precisa escutar com mais atenção para descer a montanha e caminhar sem medo?
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