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Ilustração em estilo gráfico: uma muda brotando de solo escuro, em vista de corte, em tons de verde musgo e verde salvia.
São João Maria Vianney, presbítero Cor litúrgica: branco 3 min de leitura

Deus cura o coração e reconstrói a vida

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Jr 30,1-2.12-15.18-22
Salmo Responsorial
Sl 101(102),16-18.19-21.29e 22-23 (R. 20b)
Evangelho
Mt 15,1-2.10-14

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Uma mesa pode estar cuidadosamente arrumada, com tudo em seu lugar, e uma conversa nela acabar marcada por palavras que ferem. Em outra ocasião, talvez faltem os detalhes que costumamos considerar importantes, mas um gesto simples de acolhida faz todos se sentirem em casa. Entre o que aparece por fora e o que se passa no coração, existe uma distância que nem sempre percebemos.

No Evangelho, os fariseus se inquietam porque os discípulos não seguem uma tradição de purificação das mãos antes da refeição. Jesus não despreza o valor dos gestos religiosos, mas vai à raiz da questão: aquilo que verdadeiramente contamina a pessoa não é o que entra pela boca, e sim o que dela sai. Palavras de desprezo, julgamentos apressados, mentiras, dureza e maldade revelam um coração que precisa ser purificado. A fé não pode se reduzir ao cuidado com aquilo que os outros veem, enquanto por dentro alimentamos ressentimentos ou nos deixamos conduzir pela vaidade.

Jeremias fala com extrema sinceridade sobre a ferida do povo. Não se trata de uma dor superficial, capaz de desaparecer com remédios rápidos. O pecado havia endurecido Israel, rompendo sua comunhão com Deus e com os irmãos. Ainda assim, a última palavra do Senhor não é o abandono. Ele promete mudar a sorte das tendas de Jacó, reconstruir a cidade em ruínas, fazer renascer o louvor e reafirmar a aliança: “Sereis meu povo e eu serei vosso Deus”. Deus conhece a gravidade de nossa ferida, mas não se afasta dela. Ele se aproxima para restaurar o que parecia perdido.

São João Maria Vianney viveu esse cuidado de modo muito concreto em seu serviço de padre. No confessionário, escutava pessoas feridas por seus pecados, cansadas de quedas repetidas e desejosas de recomeçar. Não lhes oferecia uma religião de aparências nem uma desculpa fácil para permanecer como estavam. Conduzia-as à misericórdia de Deus, que chama à verdade e, ao mesmo tempo, abre um caminho real de conversão. Sua vida recorda que um pastor não aponta de longe as falhas do povo: ele ajuda cada pessoa a encontrar o Pai que cura e reconstrói.

Também nós podemos cultivar práticas corretas e, mesmo assim, deixar que saiam de nossa boca palavras que machucam. O Senhor hoje nos convida a não esconder essa contradição. Ele não humilha quem reconhece a própria pobreza; ele recolhe as ruínas e faz delas morada novamente. Antes de cuidar apenas da imagem que oferecemos, vale pedir a graça de um coração limpo, capaz de falar com verdade, paciência e caridade. Que palavra precisa ser curada em mim para que Deus reconstrua, por meio dela, a vida de alguém?

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