A mesa onde Deus multiplica nossa confiança
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Is 55,1-3
- Salmo Responsorial
- Sl 144(145),8-9.15-16.17-18 (R. cf. 16)
- Segunda Leitura
- Rm 8,35.37-39
- Evangelho
- Mt 14,13-21
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
O pouco partilhado nunca permanece pouco. Na mesa do café, isso aparece de modo simples: alguém percebe que o pão não será suficiente, corta as fatias menores, oferece primeiro a quem chegou depois e descobre que o gesto de repartir muda o ambiente. Não se trata apenas de quantidade. Quando existe cuidado, o alimento ganha outro sentido; deixa de ser algo guardado para si e se torna sinal de proximidade, de família, de comunhão.
Isaías nos apresenta um Deus que chama os sedentos para as águas e convida os que nada possuem a receber alimento sem pagar. É uma promessa que confronta nossas buscas apressadas. Podemos gastar tanta energia tentando preencher o coração com coisas que não sustentam: reconhecimento, consumo, controle, pressa, distrações. O Senhor, porém, não humilha quem chega de mãos vazias. Ele chama, acolhe, alimenta e pede que inclinemos o ouvido. A vida começa a se renovar quando reconhecemos nossa sede verdadeira e nos aproximamos daquele que pode saciá-la.
O salmo prolonga essa certeza com uma imagem belíssima: Deus abre sua mão e alimenta todo ser vivo no tempo certo. Sua bondade não é escassa nem reservada a poucos. A mão aberta do Senhor revela sua misericórdia, sua paciência e sua ternura por toda criatura. Por isso, o domingo também é dia de gratidão. Agradecemos não somente pelo que temos sobre a mesa, mas pelo Deus que não se fecha diante de nossa necessidade, que permanece perto de quem o invoca com sinceridade e sustenta a vida mesmo quando nossos recursos parecem insuficientes.
No Evangelho, Jesus está ferido pela notícia da morte de João Batista e procura um lugar afastado. Contudo, ao ver a multidão, não se protege numa distância indiferente: enche-se de compaixão. Ele vê os doentes, acolhe a necessidade das pessoas e permanece com elas até o entardecer. Os discípulos calculam a falta: o lugar é deserto, a hora está avançada, há pouca comida. Jesus, no entanto, lhes entrega uma palavra exigente e concreta: eles mesmos devem dar de comer. Não porque possam resolver tudo sozinhos, mas porque a compaixão de Cristo quer alcançar os outros também por meio de suas mãos.
Cinco pães e dois peixes parecem pouco diante de uma multidão. Mesmo assim, Jesus pede que sejam trazidos a ele. Ergue os olhos ao céu, bendiz, parte e entrega aos discípulos para que distribuam. O milagre não despreza a pequena oferta; ele a recebe, abençoa e a faz circular. Quantas vezes esperamos possuir mais tempo, mais dinheiro, mais segurança ou mais capacidade para começar a servir? Jesus não nos pede aquilo que não temos. Ele pede que não escondamos o que recebemos e que coloquemos em suas mãos o pouco disponível: uma escuta paciente, uma visita, uma ajuda discreta, uma palavra de reconciliação, uma disposição para servir na comunidade.
São Paulo sustenta essa confiança ao afirmar que nada pode nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo. Nem as angústias, nem a fome, nem o futuro incerto têm a palavra final sobre nós. A multiplicação dos pães não é apenas um sinal de alimento material; ela revela que o amor de Cristo é maior que nossas limitações e que, nele, não somos abandonados no deserto. Somos mais que vencedores não por dominarmos todas as situações, mas porque permanecemos envolvidos por um amor que não falha.
Neste domingo, memória da ressurreição, somos reunidos pelo Senhor em torno da mesma mesa. Na Eucaristia, ele continua a tomar o pão, bendizer, partir e alimentar seu povo. Que não cheguemos à celebração somente pensando no que precisamos receber, mas também atentos ao que podemos oferecer para que ninguém se sinta esquecido. Qual pequeno pão você pode colocar hoje nas mãos de Jesus, para que a comunidade inteira reconheça a abundância de seu amor?
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