Perto de Deus, o pequeno gesto floresce
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Jr 13,1-11
- Salmo Responsorial
- Dt 32,18-19.20.21 (R. cf. 18a)
- Evangelho
- Mt 13,31-35
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Há manhãs em que a rotina parece pequena demais para carregar algum sentido: preparar o café, responder uma mensagem difícil, enfrentar o trânsito, começar uma tarefa que ficou pendente. Talvez ninguém perceba o esforço de manter a paciência, de não devolver uma palavra áspera ou de cumprir com honestidade aquilo que nos cabe. Ainda assim, é justamente nesse terreno comum que Deus costuma trabalhar mais profundamente.
Jeremias recebe uma imagem forte: um cinto de linho, feito para ficar junto ao corpo, torna-se inútil quando é deixado longe de sua finalidade. O Senhor explica que também o seu povo fora chamado a permanecer unido a Ele, como algo precioso e próximo, mas se perdeu ao seguir outros caminhos. O salmo repete essa dor: esqueceram o Deus que os gerou. Não se trata apenas de deixar de lembrar uma oração ou de faltar ocasionalmente a um gesto religioso. Esquecer Deus é começar a viver como se Ele não tivesse nada a dizer sobre nossas escolhas, nossos afetos, nossas prioridades e nossa maneira de tratar os outros.
O Evangelho mostra o outro lado dessa verdade. Quando permanecemos próximos do Senhor, mesmo aquilo que parece mínimo pode tornar-se fecundo. A semente de mostarda quase não chama atenção quando é colocada na terra, mas cresce e oferece abrigo. O fermento desaparece no meio da massa, sem fazer barulho, mas transforma tudo por dentro. Assim é o Reino de Deus: não avança necessariamente por gestos espetaculares, e sim pela força escondida de uma vida que se deixa penetrar pela graça.
Talvez hoje não tenhamos grandes decisões a tomar, mas certamente teremos pequenas ocasiões de amar. Uma escuta sem pressa, um pedido de perdão, uma renúncia a um comentário maldoso, alguns minutos de silêncio diante de Deus, um trabalho realizado com retidão: nada disso é insignificante quando nasce de um coração unido ao Senhor. O que nos afasta dele pode parecer atraente ou urgente, mas acaba nos esvaziando, como o cinto que perde sua utilidade. Já a fidelidade simples, cultivada dia após dia, torna-se fermento de uma transformação que alcança a casa, o trabalho, a comunidade e até pessoas que nem imaginamos tocar.
No início deste dia, vale perguntar com sinceridade: em que aspecto da minha vida tenho vivido distante de Deus? E qual pequeno gesto concreto posso oferecer hoje para permanecer junto dele e deixar o seu Reino crescer em mim?
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