Quando Jesus chama pelo nosso próprio nome
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Ct 3,1-4a ou 2Cor 5,14-17
- Salmo Responsorial
- Sl 62(63),2.3-4.5-6.8-9 (R. 2b)
- Evangelho
- Jo 20,1-2.11-18
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Há manhãs em que acordamos já carregando uma ausência. Pode ser uma preocupação que voltou durante a noite, uma notícia que ainda dói, uma conversa que ficou mal resolvida ou simplesmente aquela sensação de procurar algo que não sabemos nomear. Cumprimos as tarefas, respondemos mensagens, preparamos o dia, mas por dentro parece haver um túmulo aberto: o lugar onde esperávamos encontrar segurança, resposta ou consolo está vazio. Maria Madalena conhece bem essa experiência. Ela vai ao túmulo quando ainda está escuro, movida por um amor que não se resigna à perda. E, ao não encontrar o corpo de Jesus, chora.
Seu choro não é fraqueza nem falta de fé; é a expressão de um coração que ama e procura. A primeira leitura também fala dessa busca insistente pelo amor da vida, procurado pelas ruas e praças até ser encontrado. Maria permanece perto do túmulo porque não quer transformar Jesus em uma lembrança distante. Mesmo sem compreender o que aconteceu, ela não se afasta. Há uma fidelidade preciosa em quem continua diante de Deus quando as respostas não chegam depressa, quando a oração parece seca e quando o coração só consegue dizer: “Não sei onde colocaram o meu Senhor”.
Jesus está ali, mas Maria ainda não o reconhece. Ela o confunde com o jardineiro. Quantas vezes isso também nos acontece? O Senhor se aproxima na simplicidade de um encontro, numa palavra recebida na hora certa, na paciência de alguém, na força inesperada para recomeçar, e nós não percebemos. Esperamos reconhecê-Lo segundo nossas ideias, enquanto Ele vem de modo mais humilde e próximo. Até que Jesus pronuncia uma única palavra: “Maria”. Ao ser chamada pelo nome, ela entende. Aquele que parecia ausente está vivo; Aquele que ela procurava já a havia encontrado.
Jesus não nos conhece de longe, como quem observa uma multidão sem rosto. Ele chama cada pessoa em sua história concreta, com suas feridas, suas esperanças e sua sede. O salmo de hoje dá voz a esse desejo profundo: a alma tem sede de Deus desde a aurora. Essa sede não é um defeito a ser escondido; é espaço aberto para o amor do Senhor. Maria Madalena é alcançada justamente no lugar de sua dor e se torna testemunha da Ressurreição. Suas lágrimas não são a última palavra. Elas se transformam em anúncio: “Eu vi o Senhor!”.
O Ressuscitado também a envia aos irmãos. Quem encontra de verdade o Senhor não guarda essa alegria apenas para si. Talvez não sejamos chamados a grandes discursos, mas podemos anunciar a vida por meio de uma presença mais serena, de uma palavra de esperança, de um perdão oferecido, de uma fé que permanece mesmo em meio à escuridão. Hoje, no início deste dia, vale permanecer um pouco junto de Jesus e perguntar: em que lugar da minha vida ainda choro como se Ele estivesse ausente? Peçamos a graça de escutar, no meio de tudo, o Senhor chamando-nos pelo nome e enviando-nos a testemunhar que Ele vive.
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