A paciência de Deus que protege o trigo
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Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Sb 12,13.16-19
- Salmo Responsorial
- Sl 85(86),5-6.9-10.15-16ab (R. 5a)
- Segunda Leitura
- Rm 8,26-27
- Evangelho
- Mt 13,24-43
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Há manhãs em que uma pequena contrariedade parece ocupar todo o campo do coração. Uma palavra atravessada em casa, uma notícia preocupante, a lembrança de uma falha nossa ou de alguém próximo: logo sentimos vontade de resolver tudo depressa, eliminar o que incomoda, colocar cada pessoa em seu devido lugar. É cansativo conviver com aquilo que ainda não está bom, dentro de nós e ao nosso redor. Muitas vezes, porém, a pressa de arrancar o mal pode ferir justamente o bem que ainda está começando a crescer.
Jesus apresenta o campo onde trigo e joio crescem juntos. Os empregados querem agir imediatamente, mas o dono pede que esperem até a colheita. Não se trata de indiferença diante do mal, como se Deus não percebesse a injustiça ou aprovasse aquilo que destrói a vida. Deus vê com clareza. Ele conhece a origem do joio e sabe que haverá um julgamento verdadeiro. Mas sua justiça não é precipitada nem cruel. O Livro da Sabedoria proclama que sua força é princípio de sua justiça e que, por dominar a própria força, ele julga com clemência. Deus é tão poderoso que não precisa esmagar; é tão justo que sabe esperar.
Essa paciência divina protege o trigo. Há pessoas que parecem definidas por seus erros, mas Deus continua vendo nelas uma história em aberto. Há fragilidades em nós que ainda se misturam com desejos sinceros de amar, servir e recomeçar. Se o Senhor tratasse a nossa vida apenas pela dureza de uma sentença imediata, quem permaneceria de pé? Sua misericórdia não chama o pecado de bem, nem dispensa a conversão; ela nos dá tempo, sustenta o processo e oferece a esperança do perdão. Por isso, o justo, ensina a leitura, deve ser humano: não fraco diante da verdade, mas semelhante ao Pai, que une firmeza e consideração.
Também nós somos convidados a deixar de lado a tentação de julgar depressa. Isso não significa aceitar abusos, encobrir injustiças ou abandonar a responsabilidade de corrigir o que precisa ser corrigido. Significa reconhecer que não conhecemos completamente o coração de ninguém, nem enxergamos toda a obra de Deus em uma vida. O Senhor pode fazer crescer uma semente pequena, quase invisível, e transformar um pouco de fermento em força capaz de levedar toda a massa. Onde vemos apenas limites, ele pode estar preparando uma maturação silenciosa.
Quando nem sabemos como rezar diante da confusão, São Paulo nos consola: o Espírito vem em socorro de nossa fraqueza e intercede por nós. Podemos apresentar a Deus o campo misturado que carregamos: nossas impaciências, feridas, medos e também os pequenos sinais de bem que desejamos cultivar. Não precisamos fabricar uma oração perfeita. Basta permanecer diante dele com verdade, confiando que o Espírito conhece o íntimo do nosso coração.
Hoje, talvez o Senhor não nos peça uma solução imediata, mas a graça de cuidar do trigo. Em vez de alimentar a condenação, podemos regar um gesto de reconciliação, guardar uma palavra mais paciente, retomar uma prática de oração ou oferecer a alguém a chance de recomeçar. Diante do que ainda parece confuso em sua vida, você consegue pedir: Senhor, dá-me a tua paciência para proteger o bem que estás fazendo crescer?
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