Quando a fé toca Jesus no meio da dor
Ouvir a reflexão · 5 min
Leituras do dia
- Primeira Leitura
- Os 2,16.17b-18.21-22
- Salmo Responsorial
- Sl 144(145),2-3.4-5.6-7.8-9 (R. 8a)
- Evangelho
- Mt 9,18-26
Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.
Há manhãs em que a gente já começa o dia carregando uma preocupação que não conseguiu resolver. Pode ser uma notícia sobre alguém da família, uma enfermidade que se prolonga, um conflito que parece sem saída ou um cansaço interior que ninguém percebe. Nesses momentos, é fácil imaginar que Deus está distante, ocupado demais para olhar para aquilo que nos fere. O Evangelho de hoje, porém, mostra Jesus caminhando justamente ao encontro de duas dores profundas: a de um pai que acaba de perder a filha e a de uma mulher que sofria havia doze anos.
O chefe aproxima-se de Jesus quando tudo, humanamente, parece ter terminado. Ele não leva uma situação ainda em aberto; leva a notícia da morte da filha. Mesmo assim, inclina-se diante do Senhor e pede que ele vá até sua casa. Sua fé não nasce da certeza de que controla os acontecimentos, mas da confiança de que Jesus pode entrar onde ele já não consegue fazer mais nada. Jesus não responde com explicações nem com uma promessa distante. Ele se levanta e o acompanha. Esse gesto simples revela um Deus que não permanece indiferente diante do sofrimento humano: ele se põe a caminho conosco.
No percurso, uma mulher se aproxima por trás, quase escondida. Sua doença a havia consumido por muitos anos, e talvez ela já estivesse cansada de pedir, de tentar, de se sentir limitada. Ela não exige atenção, não faz discurso; apenas toca o manto de Jesus, sustentada por uma esperança humilde. E o Senhor se volta para ela. Jesus não quer que ela permaneça anônima, como se fosse apenas mais uma dor no meio da multidão. Ele lhe dirige uma palavra cheia de ternura: chama-a de filha e lhe dá coragem. A fé daquela mulher não foi um recurso mágico, mas uma entrega confiante à misericórdia de quem pode salvá-la.
A primeira leitura ajuda a compreender essa delicadeza. Deus fala ao coração de seu povo e promete uma aliança marcada pela justiça, pela misericórdia e pela fidelidade. Ele não se aproxima para cobrar friamente o que faltou, mas para restaurar uma relação ferida. Seu amor não se cansa diante das nossas demoras, quedas ou medos. Como canta o salmo, o Senhor é misericordioso, paciente e compassivo; sua ternura abraça toda criatura.
Também nós podemos carregar dores que preferimos esconder ou situações que julgamos definitivamente perdidas. Talvez estejamos como aquela mulher, tentando tocar Jesus discretamente no meio da multidão. Talvez sejamos como o pai da menina, pedindo ajuda quando já não vemos possibilidade alguma. Em ambos os casos, o Evangelho recorda que Cristo vê, escuta, se aproxima e toma pela mão. Nem sempre ele age segundo o nosso tempo e nossas expectativas, mas jamais despreza uma fé que se volta para ele.
Hoje, antes de seguir com as tarefas e preocupações do dia, vale apresentar ao Senhor aquilo que parece sem vida dentro de nós. Que ferida, medo ou esperança você precisa colocar nas mãos de Jesus, confiando que sua misericórdia ainda pode levantar o que parecia perdido?
Se esta leitura te fez bem, acompanhe as proximas no canal oficial.
Entrar no canal do WhatsApp