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Ilustração em estilo gráfico: uma porta simples com luz além dela, em tons de verde musgo e verde salvia.
12ª Semana do Tempo Comum Cor litúrgica: verde 3 min de leitura

Uma palavra de Cristo para nossas ruínas

Ouvir a reflexão · 4 min

Leituras do dia

Primeira Leitura
Lm 2,2.10-14.18-19
Salmo Responsorial
Sl 73(74),1-2.3-4.5-7.20-21 (R. 19b)
Evangelho
Mt 8,5-17

Texto completo das leituras no site oficial da CNBB.

Há dias em que uma notícia muda o ritmo da casa: alguém adoece, uma conta se acumula, um conflito antigo reaparece, uma pessoa querida parece perder as forças. Nessas horas, é comum procurar respostas imediatas e tentar sustentar tudo sozinho. Mas, quando percebemos que não temos domínio sobre o sofrimento, também pode nascer em nós uma oração mais verdadeira, menos preocupada em parecer forte e mais disposta a reconhecer a própria necessidade.

A liturgia apresenta a cidade de Sião ferida, reduzida ao silêncio, às lágrimas e à ruína. Não há tentativa de enfeitar a dor ou de escondê-la atrás de palavras fáceis. O Livro das Lamentações mostra um povo que sofre profundamente e é chamado a gritar o coração ao Senhor. Ao mesmo tempo, o Evangelho nos coloca diante de um oficial romano que se aproxima de Jesus por causa do sofrimento de seu empregado. Ele não leva uma solução; leva sua súplica. Não se apoia em méritos, nem exige explicações. Confia que uma palavra de Cristo basta.

A única certeza que sustenta essas cenas é esta: nossas ruínas podem ser apresentadas a Jesus, porque sua palavra alcança aquilo que nós não conseguimos curar. A fé do oficial não é uma fórmula para eliminar qualquer dificuldade no instante que desejamos. É a humilde convicção de que Cristo possui autoridade sobre o mal, a doença e tudo o que desorganiza a vida. Por isso, ele não precisa conduzir Jesus pela mão nem determinar como será o milagre. Ele se abandona à palavra do Senhor.

Também nós, muitas vezes, queremos uma fé que nos dê controle. Queremos saber quando a febre passará, quando a família voltará a ter paz, quando a tristeza dará lugar à esperança. Jesus, porém, nos conduz a uma confiança mais profunda: a de quem reconhece que Ele vê a dor, toca os enfermos, acolhe os que chegam ao cair da tarde e carrega nossas enfermidades. Nada do que levamos a Ele é pequeno demais, vergonhoso demais ou confuso demais.

As Lamentações ainda alertam para o perigo das palavras falsas e atraentes, que não revelam o que precisa mudar. Há consolos que apenas anestesiam, promessas que evitam a verdade e conselhos que alimentam ilusões. Cristo não nos oferece uma fuga da realidade; oferece sua presença dentro dela. Sua palavra não humilha quem sofre, mas levanta, cura e devolve a capacidade de servir, como acontece na casa de Pedro.

Talvez hoje a oração mais sincera seja simples: Senhor, eu não consigo resolver isto, mas dize uma só palavra sobre esta situação, sobre esta pessoa, sobre este coração cansado. Depois, permaneçamos diante dele sem desistir, entregando-lhe também os pobres, os pequenos e todos os que parecem esquecidos. Que ruína ou enfermidade você precisa colocar, com humilde confiança, sob a palavra de Cristo?

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